Relação entre indicadores financeiros e desportivos dos clubes da Segunda Divisão Provincial de Futebol de Inhambane, 2022 a 2024
Palavras-chave:
Futebol, gestão, finançasResumo
A sustentabilidade financeira dos clubes desportivos, especialmente aqueles que atuam em divisões inferiores, representa um dos maiores desafios para a continuidade das suas actividades e competitividade. A saúde financeira de um clube de futebol é determinada por diversos indicadores económicos que reflectem a sua capacidade de gerar receitas, controlar despesas e manter um equilíbrio orçamental sustentável. O propósito central dos clubes de futebol é vencer as competições que participam, porém é preciso relacionar o desempenho dentro do campo com indicadores mais consistentes a fim de poder auxiliar a trajectória em busca dos objectivos. Este estudo teve como objectivo analisar a relação entre indicadores financeiros e desempenho desportivo dos clubes da Segunda Divisão Provincial de Futebol de Inhambane no período 2022 – 2024, respondendo à questão de pesquisa sobre de que forma esses indicadores influenciam o desempenho e a sustentabilidade dos clubes. Método: No que se refere à abordagem metodológica, adoptou-se uma abordagem quantitativa, recorrendo a dados numéricos e a técnicas estatísticas para analisar a relação entre as variáveis em estudo. Utilizou-se uma estatística descritiva e correlação de Pearson para analisar os dados de seis clubes participantes. Principais resultados e conclusões: os resultados mostram que todos os clubes operaram com saldos financeiros negativos no período, e que as correlações entre variáveis financeiras e desempenho desportivo variaram, sendo alguns fortes (positivas ou negativas) e outras fracas ou quase nulas. Estes achados indicam que o desempenho em campo não depende apenas de recursos financeiros, sendo factores como gestão técnica, estratégia de plantel e eficiência organizacional relevantes. O estudo demonstrou que, em todos os clubes, as receitas foram insuficientes para cobrir as despesas, resultando em saldos financeiros negativos ao longo do período em estudo. Conclui-se que a sustentabilidade financeira continua a ser um elemento importante, mas a sua ausência não impede necessariamente o sucesso desportivo, especialmente quando são adoptadas práticas organizacionais eficazes. A análise empírica revelou que as principais fontes de receitas dos clubes analisados são os donativos, os patrocínios e a bilheteira, enquanto as despesas operacionais representam o principal componente dos gastos. Esta realidade evidencia fragilidades financeiras estruturais, comuns em clubes de escalões inferiores e com forte dependência de apoios externos. Originalidade e contribuições teóricas: o estudo contribui para a compreensão da interacção entre indicadores financeiros e desempenho em clubes de menor expressão, contextos pouco explorados na literatura de gestão desportiva, e reforça a necessidade de políticas que incentivem práticas organizacionais e estratégicas adequadas em vez de se focarem apenas no aumento de receitas.



