Mulheres no Tênis de Mesa Brasileiro: análise das ações da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa para o desenvolvimento de treinadoras e gestoras

Autores

Palavras-chave:

Equidade de gênero. Mulheres. Tênis de Mesa. Gestão Esportiva.

Resumo

A literatura científica estabelece a existência de barreiras para a inserção e permanência de mulheres no meio esportivo, em diversas esferas. No cenário do Tênis de Mesa brasileiro, também há a sub-representatividade de mulheres. No entanto, desde 2020 a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) propõe iniciativas para promover mulheres no Tênis de Mesa. Com isso, o artigo tem como objetivo apresentar as ações promovidas pela CBTM para o desenvolvimento de mulheres em cargos de liderança, especificamente, treinadoras e gestoras da modalidade, e os desdobramentos perante essas ações. Foi utilizada uma abordagem quantitativa e qualitativa, com finalidade descritiva, realiza por meio de pesquisa documental no site oficial da CBTM, e foram analisados notícias, notas oficiais, eventos/ações sobre mulheres e informativos sobre cursos e certificações presentes no site oficial. As ações foram alocadas em uma linha do tempo para ampla compreensão do contexto e ações realizadas, e os documentos que continham informações sobre número de mulheres certificadas foram organizadas em planilhas na ferramenta Microsoft Excel e apresentados utilizando a estatística descritiva. Foi observado que as ações afirmativas acontecem de maneira contínua, desde 2020, com o lançamento da iniciativa "Coletivo Ping-Pong”, que abordava temas como diversidade, e visava o aumento de mulheres no Tênis de Mesa; a Universidade do Tênis de Mesa (UniTM) — área educacional da CBTM, possibilitou a participação de mulheres em cursos de capacitação disponibilizando vagas para mulheres, bem como promovendo eventos como o “Training Camp Mulheres TMB”, encontros online para tratar sobre o tema “mulheres e liderança no esporte”, disponibilização de material em plataforma digital, e a realização de projetos em parceria com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) como parte do Programa de Desenvolvimento do Esporte Feminino (PDEF).  Dentre as ações realizadas para treinadoras, estão a disponibilização de vagas para mulheres em cursos “Iniciação ao Tênis de Mesa” — o primeiro curso dentre três cursos de formação de treinadores(as) do Programa de Desenvolvimento de Treinadores da UniTM-CBTM —, em que o número de mulheres participantes aumentou de 7,14% (no primeiro oferecimento), para 38,24% (no segundo oferecimento), com política de vagas para mulheres. Além disso, houve o oferecimento do curso sequencial do programa, denominado “Formação de Atletas”, com uma edição exclusiva para mulheres; e os cursos de mais alto nível do programa, “Alto Rendimento”, em que os três oferecimentos tiveram vagas priorizadas para mulheres. Com relação a gestoras, foi realizado um curso exclusivo para mulheres, para formação de gestoras de eventos de Tênis de Mesa, o que possibilitou um quadro de certificados(as) majoritariamente formado por mulheres. Apesar disso, somente 69,23% das gestoras certificadas e aptas para exercerem função de avaliadoras de eventos seguem com os processos para função de avaliadora de eventos. Também houve um curso exclusivo para gestoras de entidades de Tênis de Mesa, em que parte das indicações para participação no curso foram realizadas pelas Federações estaduais de Tênis de Mesa filiadas à CBTM e, de 24 Federações, somente 8 realizaram indicações, o que revela um desinteresse por parte das Federações em indicar mulheres para realização do curso. Assim como as treinadoras, gestoras e mulheres em cargos de liderança no esporte geralmente enfrentam desafios para chegar e permanecer nos cargos. No Tênis de Mesa, treinadoras e gestoras tendem a se capacitar mais que os homens. Apesar disso, e dos esforços de ações afirmativas para mulheres gestoras de entidades, a incidência de mulheres na liderança no Tênis de Mesa ainda é baixa, sendo necessário ações afirmativas de maneira contínua para que ocorram mudanças estruturais e rumo à equidade de gênero, em longo prazo.

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Publicado

2026-06-09

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Artigos